Lente e faceta
Quanto de dente se remove para colocar uma lente
A imagem do dente lixado até virar um pino é a que mais assusta — e ela existe porque descreve um extremo real do espectro, não porque descreva todo caso. O intervalo é grande, e onde o seu caso cai dentro dele é uma informação que se mede, não que se estima.
A ordem de grandeza
O esmalte da face externa de um dente anterior tem, em geral, algo entre meio milímetro e um milímetro e meio de espessura, sendo mais fino perto da gengiva e mais espesso na borda. Esse é todo o material disponível antes de se chegar à dentina.
É por isso que a diferença entre um preparo conservador e um preparo extenso não se mede em centímetros: se mede em décimos de milímetro. E é também por isso que “um pouquinho” pode significar metade do esmalte disponível numa região.
O que faz o número subir
- Dente escuro. Peça fina é translúcida. Para mascarar cor forte, ou se usa peça mais espessa — que exige mais espaço — ou se aceita que a cor final não será a pretendida.
- Dente projetado ou girado. Se o dente está à frente do alinhamento desejado, o espaço para a peça sai dele. Alinhar antes costuma reduzir muito o desgaste necessário.
- Mudança grande de forma ou tamanho. Quanto mais distante o resultado pretendido estiver da anatomia atual, mais preparo.
- Peça em dente já restaurado. Restaurações antigas costumam ser removidas junto, e o que sobra nem sempre é esmalte.
O que faz o número descer
Dente bem posicionado, cor próxima da pretendida e expectativa de mudança sutil. Nessas condições, existem técnicas de preparo mínimo e, em casos selecionados, sem remoção de esmalte — normalmente com resina aplicada diretamente.
Vale registrar o contrário também: nem todo caso tem indicação de faceta, e há situações em que a resposta honesta é que o resultado pretendido não se alcança sem um preparo que compromete estrutura sadia demais. Ouvir isso é um resultado da consulta, não uma recusa de atendimento.
Como saber o seu número antes
Três coisas permitem responder com alguma precisão: exame clínico com avaliação de espessura e translucidez, fotografia padronizada e radiografia. Em muitos casos vale ainda um enceramento diagnóstico — uma simulação em modelo, que mostra quanto de espaço o resultado pretendido exige antes de qualquer coisa ser tocada no seu dente.
Esmalte não se regenera. Antes de remover, a pergunta que cabe é quanto — e a resposta existe antes do procedimento, não depois.
Na Vitaliano, essa informação sai por escrito, junto com o plano em duas colunas e com a lista do que foi descartado e por quê. Você leva o documento mesmo que decida não tratar aqui.
Revisão técnica: Dr. José Arthur C. Vitaliano — Cirurgião-Dentista, CRO-SP 20.022, responsável técnico da Vitaliano Odontologia.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento odontológico. Nenhum resultado é prometido ou garantido: toda conduta depende de avaliação clínica individual.
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